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sábado, 13 de junho de 2009

Infecção Cutânea por Fonsecaea pedrosoi em cães

Foi publicado no Journal of Veterinary Diagnostic Investigation o relato de caso de um cão diagnosticado com Fonsecaea pedrosoi. (Rajeev, S, Clifton G, Watson C, Miller D. J VET DIAGN INVEST 20:379-381, 2008). Os autores relatam ter diagnosticado a infecção em um cão da raça Jack Russeal Terrier na Geórgia, EUA. O paciente apresentava história cronica de doença de pele que tem respondido minimamente a vários antibióticos e antifúngicos. Foi realizada biópsia de pele para análise histopatológica e cultura fúngica e bacteriana. A análise revelou inflamação mista com alta população de linfócitos, macrófagos, células plasmáticas e reduzido número de eosinófilos e neutrófilos. Uma população mista de bactérias cresceu na cultura bacteriana mas o que chamou a atenção foi o crescimento de F. pedrosoi na cultura fúngica.

F. pedrosoi é o agente etiológico da cromoblastomicose em humanos, uma infecção fúngica cutânea e de tecidos subcutâneos. Esse fungo já havia sido isolado anteriormente em um gato mas nunca em um cão. Esse tipo de infecção requer uma terapia médica e cirúrgica significativa e raramente é curativa. Recorrências e relapsos são muito comuns. Esse paciente foi tratado com itraconazole mas apresentou diversos episódios de relapso durante tratamento.

Comentários
Esse é o primeiro caso de infecção por F. pedrosoi em cães. Devido a dificuldade no tratamento dessa infecção, esse fungo deve ser colocado na lista de diferenciais para doenças crônicas de pele especialmente em animais que vivem em áreas tropicais e subtropicais. Esse organismo possui potencial zoonótico e por isso o diagnóstico deve ser feito o mais cedo possível.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Atopia em Cães.

Obrigado pelas votações. O tópico Atopia em cães foi o mais votado com 42% dos votos. Vou escrever algumas coisas que foram comentadas mais recentemente sobre o assunto no Simpósio de Medicina Veterinária que ocorreu em fevereiro desse ano na Universidade da Califórnia - Davis.

Atopia é uma das dermatites mais comuns em cães. No entanto a patogenicidade dessa doença de pele é ainda pouco compreendida e não existe um teste diagnóstico específico. O diagnóstico da Atopia continua sendo um diagnóstico de exclusão de outras doenças com sintomas similares. Outras doenças que apresentam sintomas similares são: Alergia a picada de pulga, alergia alimentar, sarnas, pioderma ou dermatite fúngica por Malassezia. O grande problema está em diagnosticar os casos onde essas doenças estão presentes em conjunto.

O manejo do paciente com Atopia envolve 8 princípios que devem ser seguidos a risca.

1 - Comprometimento do proprietário em seguir as recomendações médicas
2 - Evitar contato com alérgenos conhecidos
3 - Controle efetivo e a longo prazo de pulgas
4 - Controle de uma alergia coexistente (alergia alimentar, pulgas)
5 - Controle do crescimento de bactérias oportunistas assim como fungos
6 - Utilização de terapia tópica
7 - Controle da inflamação com anti-inflamatórios não esteroidais
8 - Imunoterapia específica anti-alérgica

Caso tenha interesse em saber como se deve proceder em cada princípio desse deixe seu recado aqui.


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Nova forma de Pododermatite!

Pododermatite é uma doença de pele comum em cães causada por uma vasta lista de desordens. Foi publicado no Journal of Veterinary Dermatology (Duclos DD, Hargis AM, Hanley PW, 19:134-141, 2008) um estudo conduzido em 28 cães que apresentavam claudicação cronica associada a presença de nódulos interdigitais recorrentes. Esses cães foram tratados com cirurgia laser para remover as lesões, que se localizavam nas superfícies palmar e plantar e foram histologicamente caracterizadas como sendo cistos foliculares. O tempo de duração das lesões, até o momento da apresentação do paciente ao veterinário foi de 2.4 anos (0.5 a 7 anos). Clinicamente, as lesões se localizavam entre os dígitos 4 e 5 e principalmente afetando os membros anteriores. A cirurgia laser permitiu a remoção de múltiplas camadas do cisto, no entanto, alguns cães necessitaram mais de um procedimento devido a alta recorrência do cisto.

Comentários
Esse estudo descreve uma síndrome única em cães que ocorre principalmente secundário ao trauma constante. Acredita-se que a patogenicidade esteja relacionada a formação de hiperqueratose e acantose devido ao constate trauma externo. Uma vez que existem diversos fatores que podem contribuir para formação de lesões interdigitais, é de extrema importância excluir essa síndrome dos diferenciais para evitar perda da adesão do proprietário ao tratamento devido as constantes recorrências.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cefovecin: Útil para infecções de pele?

Gostaria de agradecer a participação dos leitores e tentarei responder as perguntas enviadas pelo e-mail. A última veio de uma colega de Curitiba-Pr sobre o uso do antibiótico Cefovecin para tratamento de dermatites em cães. Foi publicado recentemente no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) (Six R, Cherni J, Chesebrough R, et al. 233:433-439,2008) um estudo para checar a eficácia e segurança da cefovecin em 235 cães com infecções de pele. Os pacientes foram divididos em 2 grupos, grupo 1 recebeu uma dose única subcutânea de cefovecin (8 mg/kg) seguida de administrações de placebo PO q12 hrs por 14 dias, e o grupo 2 recebeu uma injeção de placebo seguida de cefadroxil (22 mg/kg) PO q12 hrs por 14 dias. Alguns tratamentos foram estendidos por mais 14 dias de acordo com a avaliação médica de cada indivíduo. Ao término do tratamento, 92,4% dos cães tratados com cefovecin, e 92.3% com cefadroxil tiveram todos os sinais clínicos reduzidos a mínimo ou ausente. Ambos os fármacos tiveram boa tolerância. Os autores concluíram que uma única dose de cefovecin (8 mg/kg) SC, repetida ou não em 14 dias, mostrou-se segura e eficaz no tratamento de infecções de pele naturalmente ocorridas e foi tão eficaz quanto ao uso de cefadroxil (22 mg/kg ) PO q12 hrs por 14 à 28 dias.

Comentários
As cefalosporinas são muito usadas para tratar infecções de pele devido ao seu amplo espectro e segurança. Uma nova cefalosporina de terceira geração, cefovecin sódico, foi recentemente aprovada para uso no tratamento de cães com pioderma superficial, abcessos e lesões infeccionadas.