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terça-feira, 2 de junho de 2009

Doença Renal Crônica em Gatos.

Gatos possuem predisposição para doenças renais. Doença renal crônica ou insuficiência renal crônica requer um monitoramento do curso normal da doença assim como da resposta do paciente a terapia. Foi publicado recentemente no North American Veterinary Conference 2009 um estudo sobre o tema. (Polzin D. NAVC PROC 2009, pp761-764.)

Quando falamos sobre a terapia de gatos com IRC, estamos nos referindo principalmente aos 4 objetivos principais - 1) Prover nutrição adequada e de qualidade, 2) Corrigir deficiências e excessos de fluido e eletrólitos, 3) Aliviar os sinais clínicos da doença e 4) Prover uma terapia que seja protetora renal e que reduza o progresso da doença. O primeiro objetivo acima citado, requer a atenção a duas recomendações principais - oferecer uma ração renal e garantir uma nutrição adequada. Quando se fala em dieta renal, não se trata apenas de baixo valor proteico, mas modificar uma variedade de outros fatores que são de grande benefício ao paciente. A má nutrição é a principal causa de morbidade e mortalidade em gatos com IRC. Com relação ao objetivo 2 acima, as recomendações principais são; manter a concentração de fósforo abaixo dos valores críticos, manter o valor de potássio dentro dos limites normais, corrigir acidose metabólica e manter a hidratação. O terceiro objetivo principal, citado acima, tem como foco corrigir uma possível anemia com uso de fármacos como eritropoetina e aliviar sinais gastrointestinais como redução do apetite, náusea, vomito, estomatite urêmica e halitose. O quarto objetivo serve para tentar diminuir o progresso da doença, reduzindo a magnitude da proteinúria, minimizando a hipertensão e provendo calcitriol quando necessário.

Comentários:
O tratamento da IRC exige uma integração forte entre proprietário e veterinário, é importante concientizar o proprietário que se trata de uma doença progressiva e que o tratamento visa aumentar a qualidade e expectativa de vida do paciente.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Hipertensão em gatos com Insuficiência Renal

Essa pergunta veio de um colega de Londrina no Paraná. Gostaria de saber que métodos vocês usam para controlar hipertensão secundária a doença renal em gatos. Esse ano mesmo tivemos uma palestra interessante sobre esse assunto no North American Veterinary Conference por Elliott J. e o resumo pode ser encontrado nos anais, pp 744-745. O objetivo principal do manejo da hipertensão em gatos é proteger e evitar sérios danos a órgãos como cérebro e olhos, além de reverter a hipertrofia ventricular que acompanha a hipertensão e proteger os néfrons que ainda funcionam nos rins (reduzindo a pressão capilar glomerular e severidade da proteinúria). O tratamento mais frequente e eficaz é iniciar com 0.625 mg de amlodipine q24 hrs e monitorar a resposta. Gatos que mostram sinais de problemas neurológicos agudos ou cegueira devido ao descolamento da retina, a pressão sanguínea deverá ser monitorada todos os dias para que seja possível avaliar a resposta ao tratamento inicial com mais precisão. Na maioria dos casos, a pressão arterial é reavaliada em 7 a 14 dias. Se a pressão sistólica continua acima de 160 mmHg, aumenta-se a dose de Amlodipina para 1.25 mg e novamente reavalia a pressão em 7 a 14 dias. A maioria dos casos respondem bem a esse tratamento e a pressão arterial geralmente fica em torno de 130 a 160 mmHg. Caso a pressão caia para valores abaixo de 110 mmHg a dose deverá ser reduzida. Uma vez estabilizado, o paciente deverá ser reavaliado a cada 6 semanas. Alguns pacientes exigem múltiplas drogas para conseguir controlar a pressão, nesses casos, pode-se utilizar um IECA como benazepril, enalapril em combinação a Amlodipine. O que ainda não se sabe é quando devemos iniciar terapia em pacientes que possuem pressão arterial acima do normal ou no limite superior, mas que não apresentam nenhum sinal clínico, devemos tratar? qual medicamento usar? qual seria o valor ideal para manter a pressão nesses casos? Estamos esperando por mais estudos sobre isso.