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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dieta para Pancreatite em Cães.


Prezados leitores do MedVet InFocus, obrigado pela participação de todos e pelos e-mails diários que recebemos. Sem dúvida um dos temas mais discutidos em nossos e-mails e mesmo aqui no Blog é Pancreatite, especialmente no que se refere ao tratamento e dieta. Em um estudo recente publicado no American Journal of Veterinary Research, 70:614-618, 2009 por James FE, Mansfield CS, Steiner JM, comparou a resposta do pancreas à dietas com diferentes teores de gordura com ou sem adição de enzimas pancreáticas ou triglicerídeos. Dez cães saudáveis sem histórico de pancreatite receberam, cada um, 1 de 4 tipos de dietas diferentes, em um intervalo de 1 semana. A dieta A consistia de 16% de gordura, seguida pela dieta B com 5%. A dieta C possuía 10% de gordura + enzimas pancreáticas e a dieta D continha 5% de gordura + enzimas e triglicerídeos. Lipase pancreática canina (cPL) e tripsina canina (cTL) foram mensurados com os animais em jejum e 1, 2 e 6 horas pós-prandial. Concentração de gastrina também foi medida. Este estudo não identificou diferença significativa nos valores de cPL e cTL ou gastrina entre as dietas. A dieta D foi a que induziu o menor valor de resposta pancreática mas a diferença não foi significativa. Os resultados indicam que a concentração de gordura na dieta não possui efeito significativo no grau de estimulação pancreática em cães sadios.


Comentários

O uso de dieta com baixo teor de gordura em cães com pancreatite tem sido amplamente utilizado na clínica hoje em dia. Essa abordagem é baseada na teoria de que a oferta de baixo teor de gordura reduz a liberação de colecistoquinina, com diminuição na estimulação pancreática. Os autores deste estudo não encontraram nenhuma diferença na estimulação pancreática com dietas contendo 10% e 5% de gordura. No entando este estudo foi conduzido em animais sem histórico de pancreatite, um estudo similar conduzido em animais com pancreatite seria ideal para futuras comparações.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Tratamento para Epilepsia vs Pancreatite

Insuficiência pancreática exócrina e pancreatite foram documentadas em cães tratados para epilepsia com Brometo de Potássio (KBr). O novo teste para diagnóstico de pancreatite canina (cPLI - Lipase pancreática canina específica) foi utilizado para avaliar a concentração sérica de cPLI em cães tratados com KBr sozinho, fenobarbital sozinho ou a combinação de fenobarbital + KBr. Esse estudo foi publicado no Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics por Steiner JM, Xenoulis PG, Anderson JA, et al., 9:37-44,2008. A atividade sérica do cPLI é específica exócrina do pâncreas, e estudos sugerem que é altamente sensível para o diagnóstico de pancreatite. De 337 amostras sanguíneas, 98 foram provenientes de cães tratados com KBr isolado, 118 de cães tratados com fenobarbital isolado, e 121 de cães tratados com ambos os fármacos. Vinte e três (6.8%) dos cães tratados com KBr isolado ou em conjunto com fenobarbital, tiveram concentrações acima do valor normal sugerido para pancreatite (199.9 mcg/L). Esse estudo indica que existe um risco elevado de pancreatite secundária ao tratamento de epilepsia com uso de qualquer dos dois fármacos.

Comentários
Esse estudo sem dúvida levanta suspeitas de que o uso de KBr isolado ou em conjunto com fenobarbital, assim como o uso apenas de fenobarbital, para tratamento de epilepsia em cães pode causar pancreatite. No entanto, os autores não informaram se esses cães possuíam sinais clínicos compatíveis com pancreatite. Novos estudos deverão ser conduzidos para tentar determinar se essas elevações no cPLI tiveram alguma relação com surgimento de sinais clínicos compatíveis com pancreatite. A elevação no cPLI foi realmente causadas devido a uma pancreatite ou devido a indução de secreção de lipase pancreática? A correlação entre elevação da cPLI e presença de sinais clínicos pode ser utilizada para determinar se esses fármacos realmente podem causar pancreatite em cães.