sexta-feira, 24 de abril de 2009

Cefovecin: Útil para infecções de pele?

Gostaria de agradecer a participação dos leitores e tentarei responder as perguntas enviadas pelo e-mail. A última veio de uma colega de Curitiba-Pr sobre o uso do antibiótico Cefovecin para tratamento de dermatites em cães. Foi publicado recentemente no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) (Six R, Cherni J, Chesebrough R, et al. 233:433-439,2008) um estudo para checar a eficácia e segurança da cefovecin em 235 cães com infecções de pele. Os pacientes foram divididos em 2 grupos, grupo 1 recebeu uma dose única subcutânea de cefovecin (8 mg/kg) seguida de administrações de placebo PO q12 hrs por 14 dias, e o grupo 2 recebeu uma injeção de placebo seguida de cefadroxil (22 mg/kg) PO q12 hrs por 14 dias. Alguns tratamentos foram estendidos por mais 14 dias de acordo com a avaliação médica de cada indivíduo. Ao término do tratamento, 92,4% dos cães tratados com cefovecin, e 92.3% com cefadroxil tiveram todos os sinais clínicos reduzidos a mínimo ou ausente. Ambos os fármacos tiveram boa tolerância. Os autores concluíram que uma única dose de cefovecin (8 mg/kg) SC, repetida ou não em 14 dias, mostrou-se segura e eficaz no tratamento de infecções de pele naturalmente ocorridas e foi tão eficaz quanto ao uso de cefadroxil (22 mg/kg ) PO q12 hrs por 14 à 28 dias.

Comentários
As cefalosporinas são muito usadas para tratar infecções de pele devido ao seu amplo espectro e segurança. Uma nova cefalosporina de terceira geração, cefovecin sódico, foi recentemente aprovada para uso no tratamento de cães com pioderma superficial, abcessos e lesões infeccionadas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cultura Fúngica - Diagnóstico Definitivo

As doenças fúngicas mais comumente diagnosticadas por veterinários são causadas por dermatófitos. Prado MR, Brilhante RSN e Cordeiro RA, publicaram no Journal of Veterinary Diagnostics 20:197-202, 2008, um estudo onde os autores investigaram a presença de dermatófitos e leveduras em 633 amostras de 250 cães; 26 sadios, 131 com dermatites, 74 com otites e 19 com doença ocular. Das amostras de cães sadios, 13.5% foram obtidas da pele, 42.3% das orelhas e 3.8% dos olhos. Todas as amostras foram preparadas para cultura e isolamento e checadas com microscopia direta para comparação. Crescimento fúngico foi notado em 20.4% das amostras obtidas de cães com dermatite. Algumas amostras de cães sadios levaram ao crescimento de Malassezia pachydermatis. Das amostras de lesões de pele, Microsporum canis foi isolado com maior frequência (n=39), seguido de Malassezia pachydermatis (n=30) e outras espécies de Malassezia (n=30). Das amostras obtidas em cães com otites, Malassezia pachydermatis foi isolada em 60.8% dos casos e em 2.6% em amostras dos olhos.

Comentários
Os resultados desse estudo comprovam que Malassezia pachydermatis é um importante fator agravante nas doenças de pele, assim como o isolamento de M.canis pode estar automaticamente associado com a formação das lesões de pele. Os resultados também sugerem que a cultura fúngica foi superior a avaliação microscópica direta, e deve ser usada para obtenção de um diagnóstico definitivo em dermatomicoses e otites.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Animais Exóticos - Existe algum risco para nós??

O contato com animais em geral promove vários tipos de emoções além de ser um grande benefício para a socialização de crianças. No entanto, existem também os riscos associados ao contato com animais exóticos. Eu mesmo já fui proprietário de muitos pets exóticos incluindo cobras, lagartos, camudongos e tartarugas. Hoje eu continuo tendo contato com uma tarântula adquirida pela minha esposa. Durante os últimos 15 anos, animais exóticos (incluindo répteis e algumas espécies de mamíferos) aumentaram a popularidade. Segundo a pesquisa publicada no Pediatrics Journal 122:876-886,2008 por Pickering LK, Marano N, Bocchini JA e Angulo FJ, animais não tradicionais podem introduzir agentes infecciosos não existentes no país, assim como expor seres humanos e animais domésticos à doenças zoonóticas. Dentre os exemplos citados no artigo, os mais importantes foram répteis com salmonelose, hamsters com vírus da coriomeningite linfocítica, roedores com praga, macacos com vírus da herpes B e peixes com micobactérias. Crianças com menos de 5 anos apresentaram o maior risco de infecção devido a mordidas, arranhões e, mesmo que não totalmente comprovado, reações alérgicas.

Comentários
Esse artigo apresentou informações bem detalhadas sobre os riscos de se possuir animais exóticos em casa. Muitos proprietários ou interessados em possuir esses tipos de animais não tinham conhecimento desses fatos. O estudo enfatiza que veterinários, assim como médicos pediatras, devem estar preparados para discutir sobre posse responsável e cuidados para minimizar riscos de transmissão de doenças, principalmente quando crianças estão envolvidas. Eu aprendi muito com esse artigo e confesso que tomei algumas medidas em casa para garantir a segurança de todos (esposa, três gatos e um cachorro).

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tratamento promissor para FeLV & FIV

Foi publicado recentemente no International Journal of Applied Research (Gingerich DA, 6:61-68,2008) o uso de um agente imunoterapeutico (Imunomodulador de linfócitos T - LTCI) que por mostrar resultados promissores em estudos in vivo e in vitro está planejado seu uso em casos clínicos. LTCI é usando como tratamento adjunto em casos de infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV) e da imunodeficiência felina (FIV). LTCI é uma glicoproteína timica produzida por células epiteliais stromal do timo. Seu mecanismo de ação é ativar células T-helper CD4++ para produzir interleucina-2 (IL-2), gama interferon (IFN) e outras citosinas. IL-2 e IFN estimulam CD8+ (linfócitos-T citotoxicos) a atacarem células infectadas pelos vírus assim como células tumorais. Os efeitos obtidos nesse estudo confirmaram a utilidade do LTCI como um imunomodulador capaz de promover resposta imune e reduzir viremia circulante. Como eu disse anteriormente, já foi planejado seu estudo em casos clínicos.

Comentários

Esse é sem dúvida um tratamento promissor para gatos portadores de FeLV e FIV. LTCI já possui licença condicional para uso terapêutico nos EUA pelo Departamento de Agricultura (USDA), isso demonstra que a expectativa desse produto é alta uma vez que o USDA só libera licença condicional aos produtos que demonstram eficácia, que sejam puros, e que passaram por testes de segurança. Vamos ficar de olho..

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Isso é Aflatoxicose??

Já que comentamos sobre intoxicação com uva passa, vamos continuar no mesmo tópico. Esse artigo foi publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association (JAVMA) por Dereszynski DM, Center SA, Randolph JF e Brooks MB (232:1329-1337,2008). Cães são susceptíveis a aflatoxicose. Em 2005 houve uma distribuição de comida de cães contaminada com aflatoxina nos EUA, principalmente nos estados do sudeste. Eu lembro muito bem desse incidente, eu estava na Florida e houve um alvoroço, hospitais veterinários lotados de clientes preocupados e a situação só piorava a medida em que a mídia atualizava a lista de marcas de fabricantes de ração que identificavam a toxina em seus lotes. Um estudo retrospectivo de 72 casos foi conduzido para caracterizar os sinais clínicos, achados clinicopatolgicos, tratamentos e tempo de sobrevida de animas envolvidos nesse episódio. Os sinais clínicos mais comuns foram anorexia, letargia, vomitos, icterícia, diarreia, efusão abdominal, edema periférico e em casos mais complicados encefalopatia. Os achados clinicopatologicos mais evidentes foram distúrbios de coagulação e eletrolíticos, hipoproteinemia, elevação das enzimas hepáticas, hiperbilirrubinemia e hipocolesterolemia. Pacientes que apresentavam cilindruria granular (7/21) tinham o pior prognóstico. Os melhores marcadores para um diagóstico antecipado foram a atividade plasmática das proteínas anticoagulantes (proteina C, antitrombina) e hipocolesterolemia.

Comentários
Aflatoxina, uma toxina produzida pelo fungo Aspergillus, pode causar intoxicação com risco de vida em cães devido a disfunção hepática. Diferenciar aflatoxina como sendo a causa da insuficiência hepática pode ser muito difícil em certos casos. Esse artigo cita diversos marcadores que podem ser usados como auxílio diagnóstico, no entanto diversos testes não comumente realizados em cães assim como biopsias podem ser necessários. O diagnóstico antecipado é importante não somente para melhorar o prognostico, mas também para identificar que existe contaminação nas rações sendo distribuídas antes que as proporções tornem-se gigantescas.