sábado, 1 de janeiro de 2011

domingo, 14 de março de 2010

Dirofilariose em Gatos (Verme do Coração)

Dirofilariose acomete cães e gatos no mundo todo. O verme conhecido como Dirofilária é transmitido através de picadas de mosquitos. Diferenças significativas existem na forma com que esta doença se manifesta em cães e gatos. Gatos são mais resistentes do que cães aos vermes adultos e na maioria dos casos a infecção em gatos é mais leve tendo geralmente menos que 6 vermes adultos. Mesmo assim, esta doença ainda pode causar risco de vida aos gatos se não for diagnosticada e tratada adequadamente.

Sinais clínicos (geralmente respiratórios), quando presentes, se desenvolvem na chegada de vermes imaturos na vascularização pulmonar ou na morte de vermes adultos causando uma intensa reação inflamatória. Esta síndrome inflamatória é denominada "Doença Respiratória Associada ao Verme do Coração" (HARD - do Inglês - Heartworm Associated Respiratory Syndrome).

O diagnóstico de dirofilariose em gatos é mais complicado do que em cães, a interpretação de testes de antígeno e anticorpo é complicado e além disso gatos são infrequentemente microfilaremicos (dificultando a observação de microfilárias no sangue). Raio-X torácico nem sempre demonstra sinais de infecção. A Ecocardiografia pode ajudar como auxílio diagnóstico na observação de vermes adultos na artéria pulmonar.

O tratamento em gatos pode incluir o uso de corticosteróides (predinisona) e terapia adulticida com Ivermectina.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Food Trial para diagnóstico de Alergia alimentar em Cães.


No Medicina Veterinária InFocus temos diversos artigos sobre alergias em cães. No entanto recebemos muitos e-mails dos nossos leitores sobre a importância de instituir uma dieta específica para ajudar no diagnóstico de alergia alimentar em cães. Esse processo é chamado "Food Trial" aqui nos Estados Unidos e é sem dúvida o principal método diagnóstico para alergia alimentar.

A estatística americana diz que a Alergia Alimentar é a terceira principal afecção alérgica que acomete os cães. Os sinais clínicos variam mas na maioria dos casos temos prurido intenso como fator principal. O "Food Trial" é realizado com rações específicas, comerciais, que contém proteínas hidrolizadas ou Novel, ou alguns proprietários optam por cozinhar a própria comida para seus cães durante este teste, o que também pode ser feito. Nesse caso recomenda-se evitar carnes de frango e carne vermelha pois esses são uns dos principais responsáveis pela alergia alimentar.

O processo deve ser avaliado em intervalos de 4 a 8 semanas (para checar a resposta no controle da prurido) e duração total de pelo menos 12 semanas. Para um diagnóstico verdadeiro de alergia alimentar espera-se resolução dos sinais clínicos apresentados e a volta dos mesmos sintomas quando retornamos a oferecer a ração que o animal comia antes do "Food Trial".

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Dieta para Pancreatite em Cães.


Prezados leitores do MedVet InFocus, obrigado pela participação de todos e pelos e-mails diários que recebemos. Sem dúvida um dos temas mais discutidos em nossos e-mails e mesmo aqui no Blog é Pancreatite, especialmente no que se refere ao tratamento e dieta. Em um estudo recente publicado no American Journal of Veterinary Research, 70:614-618, 2009 por James FE, Mansfield CS, Steiner JM, comparou a resposta do pancreas à dietas com diferentes teores de gordura com ou sem adição de enzimas pancreáticas ou triglicerídeos. Dez cães saudáveis sem histórico de pancreatite receberam, cada um, 1 de 4 tipos de dietas diferentes, em um intervalo de 1 semana. A dieta A consistia de 16% de gordura, seguida pela dieta B com 5%. A dieta C possuía 10% de gordura + enzimas pancreáticas e a dieta D continha 5% de gordura + enzimas e triglicerídeos. Lipase pancreática canina (cPL) e tripsina canina (cTL) foram mensurados com os animais em jejum e 1, 2 e 6 horas pós-prandial. Concentração de gastrina também foi medida. Este estudo não identificou diferença significativa nos valores de cPL e cTL ou gastrina entre as dietas. A dieta D foi a que induziu o menor valor de resposta pancreática mas a diferença não foi significativa. Os resultados indicam que a concentração de gordura na dieta não possui efeito significativo no grau de estimulação pancreática em cães sadios.


Comentários

O uso de dieta com baixo teor de gordura em cães com pancreatite tem sido amplamente utilizado na clínica hoje em dia. Essa abordagem é baseada na teoria de que a oferta de baixo teor de gordura reduz a liberação de colecistoquinina, com diminuição na estimulação pancreática. Os autores deste estudo não encontraram nenhuma diferença na estimulação pancreática com dietas contendo 10% e 5% de gordura. No entando este estudo foi conduzido em animais sem histórico de pancreatite, um estudo similar conduzido em animais com pancreatite seria ideal para futuras comparações.

domingo, 22 de novembro de 2009

Dosagem de Ácidos Biliares


A dosagem de ácidos biliares é realizada quando temos evidências clínicas e laboratoriais que suportam um diagnóstico diferencial de disfunção hepática porém sem os sinais óbvios de doença hepática. Este teste não é parte dos testes laboratoriais de rotina e é pouco útil quando o paciente apresenta icterícia hepática ou pós-hepática - uma vez que o resultado estará sempre elevado. Em pacientes onde a icterícia é de orígem pré-hepática (hemólise) este teste é de grande ajuda para eliminar doença hepática como causadora da icterícia ou identificar doença hepática concomitante.

Para o teste de estímulo e dosagem de ácidos biliares, não existe um protocolo padrão, cada clínico usa o seu próprio método. Eu prefiro usar o método sugerido pelos patologistas veterinários que recomendam jejum de 12 horas, coleta de sangue, oferta de comida e nova coleta de sangue 2 horas depois. Um dos detalhes deste procedimento é o que devemos dar de comer para o paciente para maximizar os resultados. Novos estudos da Universidade de Cornell nos EUA recomendam que devemos usar comida enlatada normal, sem a necessidade de alto conteúdo de gordura ou carboidratos. Nenhum dos estudos no entando analisou a quantidade de comida que devemos oferecer, considerando que estes pacientes se apresentam geralmente inapetentes, algumas colheres (4 a 5) de sopa de comida em lata são o suficiente para conduzir o exame. É importante evitar dar muita comida para prevenir lipemia que pode interferir nos resultados.

Uma vez o exame realizado, a interpretação não é complicada. Geralmente pacientes que possuem disfunção hepática demonstram níveis normais ou elevados de ácidos biliares durante o período em que estão em jejum e concentrações elevadas após oferta de comida. Valores menores que 25umol/L em cães e 20 umol/Lem gatos são considerados normais. Ocasionalmente, os valores em jejum podem estar maiores do que os valores pós-prandial, isso pode acontecer quando existe uma contração insuficiente da vesícula biliar durante a refeição ou má absorção intestinal. Mas se existe valores anormais de ácidos biliares na amostra pré-prandial, esse paciente deve ser considerado como portador de disfunção hepática até que se prove o contrário.

Interessado em saber mais sobre esse assunto, mande sua pergunta para nós ou escreva aqui o seu comentário.

sábado, 14 de novembro de 2009

Consultoria Veterinária nos Estados Unidos

Muitos veterinários brasileiros possuem o sonho de praticar medicina veterinária nos Estados Unidos. No entanto acabam desistindo quando se deparam com informações infundadas e fora da realidade encontradas na Internet. Muitas dessas informações são "passadas" para frente por pessoas pouco informadas que não procuraram saber como funciona exatamente o processo de validação do diploma. A validação do diploma de médico veterinário nos Estados Unidos envolve uma série de passos, que muito embora possam levar um tempo para serem completados, não é nada fora da realidade e muito menos impossível. No entanto dependem de uma boa orientação por profissionais que já passaram por ele e que conhecem o sistema e hoje trabalham como Médicos Veterinários nos Estados Unidos, muitos já abriram suas próprias clínicas ou hospitais ou estão seguindo o caminho da especialização.


Caso você tenha interesse em saber mais sobre como validar seu diploma nos EUA, contacte a Vet.Med. Group Corporation e marque uma consulta. Nós iremos lhe prestar um serviço de consultoria completa para que você possa compreender melhor como funciona o sistema, como se preparar para os testes exigidos pelo governo americano, quanto custa cada teste e o processo inteiro, e o que você pode ou não pode fazer nos EUA (trabalho) enquanto segue com o processo.


Nós oferecemos também Consultoria Preparatória para todos os testes. Para agendar uma consulta ligue agora para 1-954-667-8042 e deixe sua mensagem com seu nome e número de contato ou envie um e-mail para vetmedgroupcorp@gmail.com


As consultas são em português.

Para maiores informações visite nossosite.

http://medvetconsultoria.blogspot.com/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Anestesia do Paciente com Doença Cardíaca - Continuação.

Prezados Leitores do MedVet InFocus, esse artigo é uma continuação do tópico sobre Anestesia do Paciente com Doença Cardíaca, que se encontra logo abaixo desse texto.

Além dos detalhes discutidos anteriormente, é muito importante entender quais são os ricos ou implicações que as medicações usadas na terapia das doenças cardíacas podem trazer para o paciente que está sendo anestesiado.

Inibidores de ECA são largamente empregados na terapia da insuficiência cardíaca. São medicamentos vasodilatadores que podem contribuir para uma hipotensão e diminuição na filtração glomerular. Agentes anestésicos inalatórios costumam causar os mesmos efeitos e podem somar aos afeitos dos IECAs. Um bom protocolo pré-anestésico que enfatize analgesia e/ou anestesia regional podem ajudar a minimizar os níveis da concentração dos agentes inalatórios para esses pacientes.

Beta bloqueadores também são utilizados nos pacientes com doença cardíaca. Este tipo de fármaco pode causar bradicardia e hipotensão principalmente quando combinado com opióides. Esta bradicardia costuma não responder muito bem aos efeitos dos fármacos anticolinérgicos ou simptomiméticos que usamos comumente durante anetesia para aumentar a frequência cardíaca.

Bloqueadores de canais de cálcio causam bradicardias, vasodilatação e diminuem a contratilidade cardíaca. Agentes anestésicos inalatórios e opióides podem potencializar esses efeitos. Novamente, um protocolo pré-anestésico enfatizando analgesia e anestesia regional podem minimizar o uso desses agentes e anticolinergicos podem ser usados para controlar a bradicardia atribuída ao uso de opióides.

Digitálicos podem causar arritmias. Opióides podem potencializar uma bradicardia. É importante verificar se os níveis sanguíneos de digitálicos estão dentro da normalidade antes da anestesia. Hipocalemia pode aumentar a toxicidade aos digitálicos, sendo assim, é importante monitorar a concentração de potássio no sangue. Todas as medidas devem ser tomadas para monitorar e controlar a concentração de potássio durante todo o período em que o paciente estiver anestesiado.

Dúvidas sobre esse assunto? Deixe aqui o seu comentário.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Anestesia do paciente com Doença Cardíaca.

Prezados leitores do MedVet InFocus. Gostaria de agradecer todos àqueles que deixaram aqui seu voto para nosso próximo assunto. Vou escrever um pouco sobre o que eu acho importante avaliar antes de proceder com procedimentos que envolvem a anestesia de um paciente portador de doença cardíaca.

Em geral, esses pacientes possuem uma predisposição maior para certos tipos de arritmias, incapacidade de administrar excessos de fluidos endovenoso e são intolerantes à frequência cardíacas extremas. Eles geralmente já possuem os mecanismos fisiológicos compensatórios ativados, o que limita sua habilidade de se "ajustar" aos diversos efeitos dos agentes anestésicos. O objetivo principal, quando anestesiamos um paciente com doença cardíaca, é única e exclusivamente tentar evitar qualquer novo dano ao sistema cardiovascular e subsequente impacto aos demais órgãos e sistemas.

Eu acredito que um dos pontos mais críticos é a avaliação pré-anestésica desse paciente. O quanto mais você sabe sobre as condições desse paciente, melhor. Uma avaliação completa do sistema cardiovascular deve ser realizada e se possível incluir radiografia torácica para estimar o tamanho do coração e o grau de envolvimento do parênquima pulmonar (congestão, edema pulmonar). ECG é de grande importância para avaliação de possíveis arritmias (especialmente em Dobermans, Boxers e Schnauzers). Ecocardiografia deve ser realizada nos casos onde existe a suspeita de insuficiência miocardica.

Após essa coleta de dados e resultados de exames, pacientes com doença cardíaca devem ser categorizados. O The International Small Animal Cardiac Health Council divide os pacientes com doença cardíaca em 3 classes. Classe I - Pacientes com doença cardíaca sem sinais clínicos, esses pacientes são considerados ASA II, se não fazem uso de medicamentos, ou ASA III se requerem medicamentos. Classe II - são pacientes com sinais clínicos leves a moderados, são considerados ASA IV. E Classe III - pacientes com doença fulminante que requerem medidas agressivas para estabilizar a doença, são considerados ASA V.

Existem alguns protocolos anestésicos que devem ser evitados para esses tipos de pacientes. Acepromazina por exemplo pode causar vasodilatação por um período de tempo muito longo e não existe um antagonista para seus efeitos. É importante usar doses pequenas se necessário. Alpha-2-agonistas devem ser evitados por causarem hipertensão e bradicardia. Existem no entanto algumas considerações sobre o uso da medetomidina. Agentes anticolinérgicos podem causar taquicardias, e opióides Mu agonistas podem causar bradicardias significativas. Agentes como a Ketamina e Tiletamina devem ser usados com muita cautela devido ao aumento do tônus simpáticos que esses fármacos produzem.

Com relação aos agentes de indução, usar máscara com anestésico inalatório pode causar um estresse muito alto. Tiopental pode ser usado em pacientes Classe I, porém possui ação arritmogênica, o mesmo se aplica ao Propofol, seguro para Classe I, porém pode causar depressão respiratória e cardíaca.

O recomendável é utilizar medicação pré-anestésica, normalmente benzodiazepínicos; diazepam ou midazolam junto com um analgésico opióide. Etomidato é atrativo para uso em pacientes Classe II ou III por ter um menor impacto na contratilidade cardíaca.

Para não me estender muito em um único tópico irei comentar em um novo tópico sobre os efeitos que as medicações que usamos para tratar esses paciente podem ter durante anestesia. Como devemos monitorar a anestesia e considerações sobre o pós-anestésico.

Continuem visitando o MedVet InFocus para esses novos tópicos. Mesmo assim estou a disposição para dúvidas e comentários sobre o tema.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Diagnósticos para Prenhez.

Existem hoje diversos métodos disponíveis para o diagnóstico de prenhez em cães. A palpação sempre foi e sempre será um método valioso. Através da Palpação podemos notar aumento no tamanho do útero e isso é possível geralmente cerca de 25-30 dias após ovulação, ou ate mesmo um pouco antes disso dependendo da raça e da experiência do examinador. Outro método bastante utilizado é a Radiografia Abdominal, através da radiografia podemos detectar aumentos de tamanho to útero entre 21 e 42 dias de prenhez além da calcificação do esqueleto fetal em torno de 45 dias de prenhez. A Ultrassonografia tem sido muito empregada hoje em dia no diagnóstico de prenhez por ser o método mais acurado para detecção precoce. Através do exames ultrassonográfico podemos diagnosticar prenhez em torno de 20-22 dias após surgimento do hormônio LH. Em torno de 26 dias é possível identificar aumento dos sacos gestacionais. Muito embora seja um exame bastante especifico, a ultrassonografia não é um exame confiável para contagem do número de fetos. Além do diagnóstico precoce de prenhez, o ultrassom ainda nos traz informações quanto à presença de doenças como piometra ou morte fetal.

Prenhez também pode ser diagnosticada com a ajuda de exames laboratoriais. A análise dos níveis sérico de Relaxina podem ser úteis na detecção de prenhez após 24 dias. No entanto os níveis desse hormônio não nos dizem nada sobre número de fetos e se estamos lidando com uma prenhez saudável, uma vez que os níveis permanecem altos por várias semanas mesmo na perda da prenhez (morte fetal). Outro exame utilizado é a análise de proteínas como fibrinogênio, no entanto este exame é pouco utilizado e pode gerar resultados falso positivos, especialmente quando existe qualquer condição inflamatória concomitante.

Para um correto diagnóstico e acompanhamento da prenhez em cães é preferível utilizar uma combinação das várias técnicas citadas acima.

Caso tenha interesse em saber mais sobre esse assunto deixe seu comentário aqui ou nos escreva pelo e-mail.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Teste de Estímulo com ACTH

Prezados leitores do MedVet InFocus. A maioria de vocês demonstrou interesse em saber mais sobre o teste de estímulo com ACTH, de acordo com as votações.

O teste de estímulo com ACTH é considerado simples, seguro e importante na tentativa de diagnóstico de cães com Hiperadrenocorticismo (Doença de Cushing) e Hipoadrenocorticismo (Doença de Addison). No entanto, esse teste pode ser afetado por diversos fatores tornando muitas vezes seu resultado inconclusivo. Muitos especialistas depõem contra o uso do ACTH gel devido à ocorrência de resultados falsos. Cortrosin, a forma injetável, é a preparação preferida para realização desse teste. Outro fator importante é o uso de glicocorticóides. Todo tipo de glicocorticóide deve ser interrompido pelo menos 12-24 horas antes de conduzir o teste, o motivo é devido à reação cruzada na liberação de cortisol, que é o hormônio medido nesse teste. No entanto, em cães com doença de Addison, onde o uso desse teste é uma importante ferramenta para controle do progresso da terapia, o uso de dexametasona é preferível anterior ao teste uma vez que ela não interfere causando reação cruzada. Dependendo do medicamente usado, o período de espera pode variar antes da condução do teste, por exemplo, com o uso de Depo-Medrol, deve-se esperar pelo menos 4 a 6 semanas. Outro medicamentos conhecidos pelo seu potencial em interferir com esse teste são: Fenobarbital, Primidone e Fentoina.

Como esse teste é feito?

A primeira coisa a se fazer é checar algumas preferências com o laboratório que irá conduzir o teste. Porém, uma amostra não lipêmica é sempre importante. Nesse caso é interessante realizar algum tipo de jejum alimentar antes da coleta do sangue. Sangue é coletado antes da administração de ACTH para usar como valor de referência de cortisol antes de um estímulo gerado pelo ACTH. Logo após a coleta desse sangue, administra-se ACTH na forma injetável (5 mcg/kg IV ou IM com dose máxima de 250 mcg. Para gatos usa-se 250 mcg IV. Após a administração do ACTH, nova coleta de sangue é feita em 1 hora. O laboratório irá comparar os valores de cortisol antes de depois da administração do ACTH. Acredita-se que cerca de 80-85% dos cães com Hipeadreno-Pituitário irão responder positivamente ao teste, e 60% dos cães com hiperadreno-tumores na adrenal, responderão ao teste.

O grande problema é, o que fazer quando o teste retorna inconclusivo?

A primeira coisa que eu costumo fazer é avaliar se houve algum erro na técnica empregada, dose utilizada, e contactar o laboratório para reavaliar a amostra. É muito importante lembrar que o resultado normal desse teste não elimina completamente o Hiperadrenocorticismo. Aproximadamente 15-20% dos cães com Hipeadreno-Pituitário e 40% com tumores na adrenal terão resposta normal à esse teste, e nesse caso recomenda-se realizar o teste com baixa dose de dexametasona. Existem outros testes disponível também, porém acredita-se que o teste de supressão com baixa dose de dexametasona é teste de escolha como próximo passo. Muitos outros testes são usados para tentar diferenciar hiperadreno-pituitário de tumores na adrenal, como ultrassonografia por exemplo. Esse teste é bastante específico para o diagnóstico de hipoadrenocorticismo, uma vez que nenhum cão com doença de Addison irá mostrar resultado inconclusivo. Caso isso aconteça, o paciente não possui doença de addison.

Esse tópico ainda pode gerar muitas dúvidas ou procura por informações adicionais. Por favor escreva-nos um e-mail ou escreva aqui seu comentário caso ainda tenha dúvidas sobre esse teste ou demais testes utilizados para o diagnóstico de HAC.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Manejo Emergencial das Intoxicações

Prezados leitores, o assunto mais votado foi Manejo Emergencial das Intoxicações. Primeiramente eu gostaria de comentar sobre como devemos lidar com a exposição à substâncias nocivas externas. Os casos mais comuns costumam acometer os olhos e a pele.

Na irritação ocular, os olhos do paciente devem ser enxaguados com água ou solução salina por pelo menos 20-30 minutos. Após esse procedimento, geralmente utilizamos lubricantes oleosos e examinamos para possíveis danos à córnea. Como monitoramento, é importante verificar periodicamente por alterações como hiperemia, blefaroespasmo, lacrimejamento e dor. Na exposição da pele, o paciente deve ser lavado e o produto mais comumente utilizado é o sabão de louça comum. Banhos devem ser repetidos para remover completamente o agente tóxico. É importante enxaguar bem o paciente com água morna para retirar todo o sabão. Para secar, pode-se utilizar toalhas aquecidas para manter uma temperatura constante e evitar hipotermia.

Mas o grande perigo está na ingestão de substâncias tóxicas. Existem diversos procedimentos para lidar com essa emergência. É importante lembrar que provocar emese não é sempre recomendável, especialmente quando se trata de substâncias corrosivas. Em casos onde existe a suspeita de ingestão de substâncias corrosivas, o ideal é tentar diluir o agente, e isso pode ser feito através da administração de água ou leite em combinação com demulecentes na dose de 1-3mg/kg.

Nos casos onde a emese é indicada, ela é mais eficaz quando realizada dentro de 2-3 horas após ingestão da substância tóxica. A emese geralmente esvazia 40-60% do conteúdo estomacal e assumimos que é mais eficaz do que a lavagem gástrica. Outro detalhe sobre induzir emese é que essa não deve ser provocada em roedores, coelhos, pássaros, cavalos e ruminantes. Deve-se evitar induzir emese quando se trata de agentes como bases, ácidos, corrosivos e hidrocarbonos. Condições pré-existentes também limitam a prática deste procedimento (animais com epilepsia, doenças cardiovasculares, debilitados ou que acabaram de passar por procedimentos cirúrgicos abdominais). Algumas substâncias tóxicas possuem efeitos anti-emético (fenotiazínicos, antihistaminicos, barbitúricos, narcóticos, antidepressivos e marijuana), nesses casos, induzir a emese pode ser dificultada.

Outro procedimento utilizado em caso de ingestão de agentes tóxicos é a administração de carvão ativado (de uso hospitalar). O carvão ativado ajuda a adsorver agentes químicos ou tóxicos, facilitando a excreção do mesmo via fezes. É geralmente utilizado quando o paciente ingere venenos orgânicos, químicos ou toxinas bacterianas. A dose recomendada para todas as espécies é 1-3 gms/kg. Pode ser repetida cada 4-8 horas na metade da dose. Esse tipo de procedimento não deve, no entanto, ser realizado caso haja suspeita de ingestão de materiais cáustico. Esse tipo de material não é absorvido e com isso o carvão ativado pode acabar mascarando severas lesões por queimaduras na boca e no esôfago. Existem outros agentes químicos que não costumam ser adsorvido eficazmente pelo carvão ativado (Etanol, metanol, fertilizantes, flúor, destilados de petróleo, metais pesados, iodo, nitratos, nitrito, cloreto de sódio e cloratos. Para aumentar a eficácia da eliminação do carvão ativado, pode-se usar catártico. Catárticos aceleram a eliminação do carvão ativado evitando que ocorra uma re-absorção do agente adsorvido pelo carvão. Porém, catárticos não devem ser usados em animais que apresentam diarréia ou que estejam desidratados.

Enemas também podem fazer parte dos procedimentos de emergência. Esse procedimento é útil na eliminação de toxinas provenientes do trato gastrointestinal. Carvão ativado pode ser utilizado como enema. O uso de soluções de enema pré-misturadas para uso humano é contraindicado para animais por causar distúrbios de desbalanceamento eletrolítico. Técnicas gerais de enema envolvem o emprego de água morna é sabão.

Lavagem gástrica não deve ser empregada em casos onde se suspeita de ingestão de destilados de petróleo. Essa técnica requer emprego de anestesia geral.

Lavagem enterogástrica pode ser necessária quando existiu uma exposição à agentes letais como estricnina, metaldeídos, antidepressivos ou fluoracil.

Aproveitando o tópico, gostaria de responder a pergunta de um colega de Navegantes-SC. O que vocês costumam na emergência para induzir vômito?

Existem vários agentes que podem ser utilizados, porém os mais comuns são o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) 3%. A dose recomendada é 1 colher de chá (5ml)/2.5kg, e não se deve dar mais que 3 colheres de sopa (45ml). A água oxigenada causa vômito através de uma irritação gástrica leve. O Vômito geralmente ocorre dentro de minutos.

Em ambiente hospitalar, a apomorfina é amplamente utilizada (cuidado com uso em gatos). Geralmente é administrada topicamente na conjuntiva. Raramente ocorre feitos adversos, mas se isso acontecer, esses efeitos podem ser revertidos com naloxone.

Dúvidas sobre esse tópico, escreva um e-mail ou poste o seu comentário aqui.