Prezados Leitores do MedVet InFocus, esse artigo é uma continuação do tópico sobre Anestesia do Paciente com Doença Cardíaca, que se encontra logo abaixo desse texto.Dúvidas sobre esse assunto? Deixe aqui o seu comentário.
Artigos publicados no Jornal Gazeta Brazilian News - Coluna Saúde Animal. Flórida - USA, para a comunidade Brasileira. http://gazetanews.com/categoria/colunas/saude-animal/
Prezados Leitores do MedVet InFocus, esse artigo é uma continuação do tópico sobre Anestesia do Paciente com Doença Cardíaca, que se encontra logo abaixo desse texto.
Prezados leitores do MedVet InFocus. Gostaria de agradecer todos àqueles que deixaram aqui seu voto para nosso próximo assunto. Vou escrever um pouco sobre o que eu acho importante avaliar antes de proceder com procedimentos que envolvem a anestesia de um paciente portador de doença cardíaca.
Existem hoje diversos métodos disponíveis para o diagnóstico de prenhez em cães. A palpação sempre foi e sempre será um método valioso. Através da Palpação podemos notar aumento no tamanho do útero e isso é possível geralmente cerca de 25-30 dias após ovulação, ou ate mesmo um pouco antes disso dependendo da raça e da experiência do examinador. Outro método bastante utilizado é a Radiografia Abdominal, através da radiografia podemos detectar aumentos de tamanho to útero entre 21 e 42 dias de prenhez além da calcificação do esqueleto fetal em torno de 45 dias de prenhez. A Ultrassonografia tem sido muito empregada hoje em dia no diagnóstico de prenhez por ser o método mais acurado para detecção precoce. Através do exames ultrassonográfico podemos diagnosticar prenhez em torno de 20-22 dias após surgimento do hormônio LH. Em torno de 26 dias é possível identificar aumento dos sacos gestacionais. Muito embora seja um exame bastante especifico, a ultrassonografia não é um exame confiável para contagem do número de fetos. Além do diagnóstico precoce de prenhez, o ultrassom ainda nos traz informações quanto à presença de doenças como piometra ou morte fetal.Prenhez também pode ser diagnosticada com a ajuda de exames laboratoriais. A análise dos níveis sérico de Relaxina podem ser úteis na detecção de prenhez após 24 dias. No entanto os níveis desse hormônio não nos dizem nada sobre número de fetos e se estamos lidando com uma prenhez saudável, uma vez que os níveis permanecem altos por várias semanas mesmo na perda da prenhez (morte fetal). Outro exame utilizado é a análise de proteínas como fibrinogênio, no entanto este exame é pouco utilizado e pode gerar resultados falso positivos, especialmente quando existe qualquer condição inflamatória concomitante.
Para um correto diagnóstico e acompanhamento da prenhez em cães é preferível utilizar uma combinação das várias técnicas citadas acima.
Caso tenha interesse em saber mais sobre esse assunto deixe seu comentário aqui ou nos escreva pelo e-mail.
O teste de estímulo com ACTH é considerado simples, seguro e importante na tentativa de diagnóstico de cães com Hiperadrenocorticismo (Doença de Cushing) e Hipoadrenocorticismo (Doença de Addison). No entanto, esse teste pode ser afetado por diversos fatores tornando muitas vezes seu resultado inconclusivo. Muitos especialistas depõem contra o uso do ACTH gel devido à ocorrência de resultados falsos. Cortrosin, a forma injetável, é a preparação preferida para realização desse teste. Outro fator importante é o uso de glicocorticóides. Todo tipo de glicocorticóide deve ser interrompido pelo menos 12-24 horas antes de conduzir o teste, o motivo é devido à reação cruzada na liberação de cortisol, que é o hormônio medido nesse teste. No entanto, em cães com doença de Addison, onde o uso desse teste é uma importante ferramenta para controle do progresso da terapia, o uso de dexametasona é preferível anterior ao teste uma vez que ela não interfere causando reação cruzada. Dependendo do medicamente usado, o período de espera pode variar antes da condução do teste, por exemplo, com o uso de Depo-Medrol, deve-se esperar pelo menos 4 a 6 semanas. Outro medicamentos conhecidos pelo seu potencial em interferir com esse teste são: Fenobarbital, Primidone e Fentoina.Esse tópico ainda pode gerar muitas dúvidas ou procura por informações adicionais. Por favor escreva-nos um e-mail ou escreva aqui seu comentário caso ainda tenha dúvidas sobre esse teste ou demais testes utilizados para o diagnóstico de HAC.
Prezados leitores, o assunto mais votado foi Manejo Emergencial das Intoxicações. Primeiramente eu gostaria de comentar sobre como devemos lidar com a exposição à substâncias nocivas externas. Os casos mais comuns costumam acometer os olhos e a pele.
A maioria dos leitores votaram em saber mais sobre a avaliação do leucograma. Eu gostaria de começar dizendo que eu prefiro sempre interpretar os valores das células brancas usando os números absolutos ao invés das percentagens. Muito raramente eu analiso as percentagens, a não ser que eu não tenha o valor absoluto para aquela determinada célula. Neste caso basta você multiplicar a percentagem pelo valor de leucócitos totais para obter o valor absoluto da célula que você pretende analisar.
As votações encerraram e os leitores do MedVet InFocus estiveram mais interessados em saber sobre a interpretação do hemograma com 73% dos votos. O que não me surpreende pois o hemograma, embora sendo um dos exames iniciais e "básicos" em quase todos os pacientes, continua sendo um exame que exige um nível de conhecimento e experiência por parte de quem está avaliando.
Obrigado pela participação dos que postaram seus votos para o próximo assunto. A maioria quis saber mais sobre Obesidade em cães. O que não me surpreende muito pois esse é um assunto muito importante hoje em dia em medicina veterinária. Na verdade não somente na veterinária mas obesidade vem crescendo também na população humana. Os dados que vou usar são todos dos EUA, eu acredito que a obesidade nos EUA é pior do que nos outros países mas não muito pior. O último estudo em cães nos EUA envolveu uma população de quase 22.000 cães de vários estados em diversos hospitais veterinários e estimaram que 29% desses cães estavam acima do peso enquanto 5.1% eram obesos. O que preocupa é que estando acima do peso ou obeso já era o suficiente para exacerbar doenças ortopédicas, causar resistência a insulina e pior de tudo diminuir a expectativa de vida.
Respondendo uma pergunta de um colega que pratica em Belo Horizonte, MG. "Prezado Dr. Bolfer, eu acompanhei como leitor o último caso de Linfoma do Hospital Veterinário Virtual - www.freepowerboards.com/hvv - e gostaria de saber quais são os critérios usados para se chegar a conclusão de que as células são realmente malignas?
Obrigado pelas votações. O tópico Atopia em cães foi o mais votado com 42% dos votos. Vou escrever algumas coisas que foram comentadas mais recentemente sobre o assunto no Simpósio de Medicina Veterinária que ocorreu em fevereiro desse ano na Universidade da Califórnia - Davis.
Gatos possuem predisposição para doenças renais. Doença renal crônica ou insuficiência renal crônica requer um monitoramento do curso normal da doença assim como da resposta do paciente a terapia. Foi publicado recentemente no North American Veterinary Conference 2009 um estudo sobre o tema. (Polzin D. NAVC PROC 2009, pp761-764.)
Prezados leitores do meu Blog. Na votação tivemos 46% dos votos para testes em Endocrinologia contra 40% para Atopia em cães. Decidí então pegar uma pergunta de um colega que pratica em Olinda, Pernambuco - obrigado pela participação. A pergunta se refere a quais testes usar na suspeita de cães com Hipotireoidismo. Dr. Richard W. Nelson, DVM, DACVIM, falou sobre isso recentemente no simpósio da Universidade da Califórnia - Davis.
Continuando na Cardiologia, não deixem de ler o tópico anterior sobre o estudo QUEST, mas dessa vez mais uma novidade nos EUA, não tenho certeza se no Brasil também, o laboratório IDEXX lançou o Cardiopet proBNP. Trata-se de um exame de sangue que mede a presença de proBNP - um biomarcador cardíaco que ajuda a determinar o status da doença cardíaca de cães e gatos. Em conversa com o Dr. Andrew Beardow - Cardilogista do IDEXX, ele garantiu que incorporar o Cardiopet na tentativa de diagnóstico preliminar de doenças cardíacas pode levar a uma detecção mais cedo de quando o paciente está na iminência de entrar em insuficiência cardíaca congestiva, com isso ambos veterinário e proprietário poderão se preparar para o tratamento da doença mais cedo. Ele sugere incluir proBNP no teste de pacientes com sinais de doença cardíaca assim como em gatos com ritmo de galope e mais de 4 anos de idade.
Respondendo a pergunta de um colega que pratica em Brasília. "Qual a eficácia do Pimobendan no tratamento de cães com doença cardíaca?" Não existe uma resposta certa ainda para essa pergunta, muitos cardiologistas possuem opiniões diferentes sobre o uso ou não e quando usar e para quais doenças. No entanto a sua pergunta foi bastante oportuna pois foi realizado um estudo bem recente chamado QUEST (Quality of Life and Extension of Survival Time). Foi um estudo de grandes proporções conduzido na Europa envolvendo 11 países, 28 centros de pesquisa, 32 investigadores, 260 cães de 31raças. Para referencia: HaggstromL et al. Effect of Pimobendan or Benazepril hydrochloride on survival times in dogs with congestive heart failure caused by naturally occuring myxomatous mitral valve disease.The Quest Study. Journal of Veterinary Internal Medicine. 2008; 22:1124-1135. Vale a pena ler o artigo completo se você realmente gostaria de ter uma visão mais completa sobre o assunto, mas o ponto principal do estudo foi comparar o uso de Benazepril + furosemida com Pimobendan + Furosemida, infelizmente não se avaliou a combinação Benazepril + Pimobendan + Furosemida, que é na verdade a maneira que temos usado por aqui. Mas enfim, os autores concluíram que a sobrevida dos cães tratados com Pimobendan foi quase que o dobro dos que foram tratados com Benazepril (267 dias vs 140 dias).
Obrigado pela participação dos colegas que enviam e-mails com perguntas. Não deixem de participar da votação no início da página do Blog.
ulga. O gato pode transmitir essa bactéria para as pessoas através de arranhões (daí o nome Doença da Arranhadura do Gato), ou mordidas.
Essa pergunta veio de um colega de Londrina no Paraná. Gostaria de saber que métodos vocês usam para controlar hipertensão secundária a doença renal em gatos. Esse ano mesmo tivemos uma palestra interessante sobre esse assunto no North American Veterinary Conference por Elliott J. e o resumo pode ser encontrado nos anais, pp 744-745. O objetivo principal do manejo da hipertensão em gatos é proteger e evitar sérios danos a órgãos como cérebro e olhos, além de reverter a hipertrofia ventricular que acompanha a hipertensão e proteger os néfrons que ainda funcionam nos rins (reduzindo a pressão capilar glomerular e severidade da proteinúria). O tratamento mais frequente e eficaz é iniciar com 0.625 mg de amlodipine q24 hrs e monitorar a resposta. Gatos que mostram sinais de problemas neurológicos agudos ou cegueira devido ao descolamento da retina, a pressão sanguínea deverá ser monitorada todos os dias para que seja possível avaliar a resposta ao tratamento inicial com mais precisão. Na maioria dos casos, a pressão arterial é reavaliada em 7 a 14 dias. Se a pressão sistólica continua acima de 160 mmHg, aumenta-se a dose de Amlodipina para 1.25 mg e novamente reavalia a pressão em 7 a 14 dias. A maioria dos casos respondem bem a esse tratamento e a pressão arterial geralmente fica em torno de 130 a 160 mmHg. Caso a pressão caia para valores abaixo de 110 mmHg a dose deverá ser reduzida. Uma vez estabilizado, o paciente deverá ser reavaliado a cada 6 semanas. Alguns pacientes exigem múltiplas drogas para conseguir controlar a pressão, nesses casos, pode-se utilizar um IECA como benazepril, enalapril em combinação a Amlodipine. O que ainda não se sabe é quando devemos iniciar terapia em pacientes que possuem pressão arterial acima do normal ou no limite superior, mas que não apresentam nenhum sinal clínico, devemos tratar? qual medicamento usar? qual seria o valor ideal para manter a pressão nesses casos? Estamos esperando por mais estudos sobre isso.
Um estudo retrospectivo foi conduzido para determinar se fatores específicos na dieta de cães podem estar associados a pancreatite. (Lem KY, Fosgate GT, Norby B, Steiner JM. Journal of Veterinary Medical Association 233:1425-1431,2008). Informações sobre a dieta e outros fatores foram extraídos de arquivos médicos de 198 cães diagnosticados com pancreatite e 187 cães controle com diagnóstico de doença renal sem evidência de pancreatite. Informações adicionais foram coletadas de proprietários através de um questionário. Os dados obtidos no estudo dos arquivos médicos revelaram que a pancreatite foi diagnostica principalmente em cães da raça Schanauzer Miniatura seguido por Yorkshire e terriers em geral. Cães com soro lipêmico (dieta muito gordurosa) apresentaram 3.9 vezes mais chances de ter pancreatite do que cães não lipêmicos. Cães com Diabetes Mellitos apresentaram 3.6 vezes mais chances de ter pancreatite. Cães obesos apresentaram 1.9 vezes mais chances de ter pancreatite quando comparados a cães com peso ideal ou abaixo do ideal. Com relação a dieta, cães que comem restos ou parte da comida de seus donos, que comem comida contida nos lixos residenciais, ou que comem uma quantidade de ração acima do recomendado, ou que comem ração de outros cães em parques ou casas de vizinhos apresentaram 2.9 vezes mais chances de ter pancreatite. Outros fatores incluem cães obesos, castrados e que passaram por outro tipo de procedimentos cirúrgicos.
Leptospirose é uma doença zoonótica de ocorrência mundial. Mesmo sendo alguns sevorars hospedeiro específico, outros sevorars podem causar doença em vários hospedeiros diferentes. Vários casos de leptospirose em cães foram reportados nos anos de 2004 a 2006 trazendo dúvidas quanto a quantidade existente de cães infectados mas sem sintomas da doença. Foi publicado no Zoonoses Public Health 55:436-442, 2008 por Davis MA, Evermann JF, Petersen CR, et al. um estudo onde os autores testaram cães sadios para anticorpos contra leptospira. As amostras de soro de 158 cães foram testadas usando um teste padrão de aglutinação. Ao todo, 17.1% (27 das 158 amostras) tiveram resultado positivo, e os serovars Autumnalis, Icterohemorrhagiae e Canicola, foram os mais frequentes. Esses achados suportam a hipótese de que ainda existe um grande potencial para cães aparentemente sadios carrearem a doença e transmitirem para outros animais e principalmente para o homem.
Prezados colegas, continuem enviando suas dúvidas para nosso e-mail drbolfer@gmail.com Esse tópico será destinado a responder uma dúvida de um colega que pratica em Maringá - Pr. A pergunta é : Qual o protocolo que vocês usam nos EUA para tratar Osteoartrite (OA) em cães?
O médico veterinário além de ser responsável pela saúde dos animais, também tem importante participação na saúde pública. Foi publicado recentemente no Journal of Infection Diseases of North America 22:755-722, 2008 por Theiler RN, Rasmussen SA, Treadwell TA, Jamieson DJ., um estudo descrevendo as principais zoonoses e suas manifestações clínicas especialmente em mulheres. Um ponto importante tocado pelos autores é a presença de animais portadores de zoonoses mas que não apresentam sinais clínicos nenhum e atuam apenas como reservatórios para esses patógenos. Na revisão dos dados, foi sugerido que mulheres possuem maior susceptibilidade para infecções por Treponema pallium, e menor susceptibilidade para Febre Q (Coxiella burnetii) e West Nile Virus. Os cuidados devem ser ainda maiores para mulheres grávidas, agentes infecciosos que podem causar complicações durante a gravidez incluem: West Nile Virus, febre hemorrágica viral, coriomeningite linfocítica viral, síndrome respiratória por coronavirus, influenza aviária, T. pallidum, doença de lyme, febre do carrapato, leptospirose e doença de chagas.
Anaplasma phagocytophilum - um organismo gram-negativo intracelular conhecido também como Ehrlichia phagocytophila, Ehrlichia equi e Ehrlichiose granulocitica humana - é o agente causador da Anaplasmose granulocitica canina (CGA). Um estudo prospectivo, envolvendo 18 cães naturalmente infectados pelo A. phagocytophilum, vivendo em áreas com alta população do carrapato Ixodes ricinus, foi conduzido para descrever os sinais clínicos, anormalidades laboratoriais, diagnóstico, tratamento e curso da doença. (Journal of Veterinary Internal Medicine - Kohn B, Galke D, Beetlitz P, Pfister K, 22:1289-1295,2008). A maioria desses cães (17) foram infectados principalmente entre o mês Abril e Setembro, sendo que apenas um deles apresentou a doença em Novembro. O diagnóstico foi possível através de teste de PCR para A. phagocytophilum sem co-infecções. Achados diagnósticos comuns foram letargia, inapetência, febre e esplenomegalia. Resultados laboratoriais mais comuns incluíram: trombocitopenia, anemia, linfopenia, hipoalbuminemia e elevação da fosfatase alcalina. Infestação por carrapato foi notado pelos proprietários em 14 cães. Todos foram tratados com doxiciclina (5 mg/kg PO q 12hrs). Os autores alertam que a serologia isolada não deve ser usada como único meio de diagnóstico de CGA devido a grande possibilidade de falso negativo. O mês junto do histórico, sinais clínicos, hematologia, bioquímica e serologia podem apontar para um diagnóstico presuntivo e ser fechado mais tarde baseado na exclusão de outras possíveis infecções, resultado de PCR positivo e melhora do quadro clínico após instituído tratamento com doxiciclina.
Pododermatite é uma doença de pele comum em cães causada por uma vasta lista de desordens. Foi publicado no Journal of Veterinary Dermatology (Duclos DD, Hargis AM, Hanley PW, 19:134-141, 2008) um estudo conduzido em 28 cães que apresentavam claudicação cronica associada a presença de nódulos interdigitais recorrentes. Esses cães foram tratados com cirurgia laser para remover as lesões, que se localizavam nas superfícies palmar e plantar e foram histologicamente caracterizadas como sendo cistos foliculares. O tempo de duração das lesões, até o momento da apresentação do paciente ao veterinário foi de 2.4 anos (0.5 a 7 anos). Clinicamente, as lesões se localizavam entre os dígitos 4 e 5 e principalmente afetando os membros anteriores. A cirurgia laser permitiu a remoção de múltiplas camadas do cisto, no entanto, alguns cães necessitaram mais de um procedimento devido a alta recorrência do cisto.
Adesivos contendo lidocaina são utilizados em humanos para promover analgesia para dores causadas pelo Herpes zoster, dores pós-cirúrgica, e para controle da dor causadas por osteoartrites. Dois estudos demonstraram que esses adesivos são seguros para uso em cães; no entanto, sabe-se muito pouco sobre a segurança do seu uso em gatos. Na verdade, gatos são tradicionalmente usados como modelos para toxicidade a lidocaina. Foi publicado no Journal of Veterinary Pharmacology and Therapeutics (Ko JCH, Maxwell LK, Abbo LA, Weil AB, 31:359-367, 2008) um estudo onde 8 gatos foram divididos em 2 grupos. O primeiro grupo recebeu lidocaina 2 mg/kg IV e o segundo grupo adesivos de lidocaina contendo 700 mg por 72 horas. Plasma foi coletado em intervalos regulares. Bióspsia tecidual do local de aplicação do adesivo foi realizada e processada para avaliar a concentração de lidocaina. A análise dos dados revelou uma frequência constante de absorção entre 12 e 72 horas, no entanto, foi possível detectar absorção em 3 horas após aplicação. Após a remoção do adesivo, a concentração de lidocaina persistiu por 3.7 horas enquanto que a aplicação intravenosa durou 2.3 horas. A concentração de lidocaina se manteve abaixo dos níveis tóxicos. Os autores concluem que os adesivos podem ser usados com seguranças em gatos.
Hemoperitoneo (hemorragia intra-abdominal) pode ser traumática ou não traumática em origem. A severidade pode variar e o manejo clínico é ainda controverso. Foi publicado recentemente no Journal of Veterinary Emergency and Critical Care (Herold LV, Devey JJ, Kirby R, Rudloff, E. 18:40-53, 2008), uma revisão do manejo emergencial do hemoperitoneo. Histórico e exame clínico podem alertar o veterinário sobre a presença de hemoperitoneo; uma avaliação da perfusão ajuda a categorizar o paciente de acordo com a severidade clínica. Os objetivos do manejo incluem: 1 - reestabelecer e manter um volume circulante efetivo, 2 - diagnosticar hemoperitoneo e identificar as anormalidade laboratoriais, 3 - manter capacidade de oxigenação e 4 - interromper a fonte da hemorragia. Os esforços devem ser introduzidos de uma maneira a manter pressão arterial média de 60 mmHg (sistólica 90 mmHg), manter oxigenação, essa pode ser otimizada com uso de transfusão sanguínea para repor a perda de hemoglobina (os autores recomendam transfusão nos casos em que o PCV é menor que 25% e hemoglobina menor que 8 g/dl). Uma vez que a hemorragia foi identificada, deve-se pesquisar por coagulopatias e procurar pela origem da mesma usando intervenção cirúrgica caso necessário. O prognóstico irá depender da etiologia do sangramento abdominal e o sucesso em reverter a situação. Uma revisão retrospectiva de 28 casos de hemoperitoneo traumático em cães mostrou taxa de mortalidade de 27%.
Abscesso pancreático é uma complicação muitas vezes associada a pancreatite. O tratamento ideal é intervenção cirúrgica, mas infelizmente existem poucos estudos avaliando prognóstico, morbidade e mortalidade para que possamos basear nossas recomendações quanto ao tratamento. Recentemente, Anderson JR, Cornell KK, Parnell NK e Salisbury SK, publicaram um artigo no Journal of the American Medical Hospital Association, avaliando o tratamento cirúrgico de abscessos pancreáticos em 36 cães. As intervenções cirúrgicas incluíram debridamento pancreático, pancreatectomia parcial, biópsia pancreática, instalação de dreno de Sump-Penrose e drenagem com abdomen aberto. Nove cães necessitaram uma segunda intervenção, 6 foram eutanaziados durante cirurgia, 8 foram eutanaziados após cirurgia e 8 não sobreviveram durante o pós-operatório. Apenas 14 pacientes se recuperaram e foram avaliados por cerca de 2 meses. Dentre todos os casos, apenas dois tiveram cultura bacteriana positiva, já a efusão peritoneal demonstrou crescimento bacteriano em 7 de 12 amostras. Administração de antibióticos durante a cirurgia, drenagem abdominal, suporte nutricional e uso de colóides não puderam ser associados nem com melhora tão pouco piora do prognóstico. Os autores concluíram que cães com abscessos pancreáticos estão sujeitos a hospitalização prolongada, alta morbidade e mortalidade e prognóstico ruim, independente do tratamento empregado.
Sabe-se hoje que o Hipertireoidismo felino pode mascarar doença renal. Muitos veterinários confiam que gatos com concentrações normais de uréia e creatinina e gravidade específica urinária acima de 1.035 estão fora de risco de desenvolverem insuficiência renal secundária ao tratamento do hipertireoidismo. Riensche MR, Graves TK e Chaeffer DJ, publicaram no Journal of Feline Medicine and Surgery (10:160-166, 2008) um estudo para tentar determinar quais dados pré-clínicos podem ser usados para prever a ocorrência de insuficiência renal após iniciado tratamento para hipertireoidismo. Um total de 39 gatos com hipertireoidismo foram divididos em 2 grupos: aqueles que não haviam indícios de insuficiência renal por pelo menos 6 meses após tratamento (grupo 1; n=19), e aqueles que desenvolveram insuficiência renal dentro de 6 meses após tratamento (grupo 2; n=20). Sinais clínicos, exame bioquímico, hematologia e urinálise antes e após tratamento para hipertireoidismo foram analisados. Esses exames não mostraram diferenças significativas entre os dois grupos, e mesmo gatos com concentração urinária normal antes do tratamento desenvolveram azotemia. Os autores sugerem fazer um teste com metimazol antes do tratamento definitivo para hipertireoidismo (cirurgia ou terapia radioativa) para verificar os efeitos do eutireoidismo na função renal.